Ser ou não ser Irritante – eis a questão

16 de outubro de 2013

Ser ou não ser Irritante – eis a questão

Miguel Figueiredo - CEO excentricGrey

O Huffington Post publicou recentemente um artigo sobre “As 7 maneiras de ser insuportável no Facebook. De uma forma muito resumida, o artigo é sobre aquelas pessoas que postam afirmações e comentários que despertam sentimentos negativos por parte de quem os lê. O artigo descreve que os posts que mais nos incomodam, ao ponto de praticamente nos deixar com urticária,  têm todos uma característica em comum: são posts egoístas. São posts que nada dão ao seu leitor e servem apenas propósitos específicos do autor, nomeadamente projectar uma imagem desejada, ser um palco de vaidade, serem feitos para provocar inveja, ou  ainda, para que o autor se torne o objecto da atenção dos demais.

Exemplos típicos são posts como:
“Nova Iorque, aqui vou eu!”
“Aparentemente já dão doutoramentos a bandidos e bêbados… Bons tempos para se viver”
“Fim de semana surpresa no Alentejo. O meu marido é lindo!!”
“Hoje pode ser um GRANDE dia… :)
“Ginásio – check! Agora, a correr para as aulas”
“Peace comes from within. Do not seek it without. – Buddha”
etc., etc., etc.

Caso o leitor que agora me lê esteja dentro dos 90% dos internautas portugueses que utiliza com alguma regularidade o Facebook, rapidamente vai recordar posts semelhantes que encontrou na sua wall e comprovar a sua natureza particularmente irritante.

Este artigo pôs-me a pensar sobre se não haveria aqui uma analogia adequada ao universo das marcas.

Num mundo em que as relações entre os consumidores e as marcas estão cada vez mais sofisticadas e interactivas, as marcas que teimam em manter uma relação assente numa comunicação que fala sobre elas, são cada vez mais percepcionadas como marcas egoístas. E com essa percepção vem  o afastamento. Afinal de contas, ninguém gosta de se dar com egoístas.

Apesar de não ter um estudo que suporte esta afirmação, parece-me relativamente  óbvio que, da mesma forma que as pessoas tendem a associar atributos humanos a marcas, o seu comportamento para com elas seguirá também as regras do comportamento para com outras pessoas. Consequentemente, se eu não gosto e me afasto de pessoas que considero egoístas, então eu também não gosto e afasto-me de marcas que considero egoístas.

Por isso, e na minha opinião, marcas que comunicam mensagens como:
“Sou o maior”
“O meu produto é o melhor”
“Sou imbatível”

Ou, que teimam em mandar no consumidor:
“Faça isto, porque eu digo”
“Seja aquilo, porque eu digo”
“Actue já, porque eu digo”

São marcas que estão completamente desfasadas da realidade e dificilmente obterão a atenção, o carinho e consequentemente o dinheiro, dos consumidores.

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