21 de julho de 2017

Siza Vieira volta 40 anos depois ao coração do Porto

Ficaram conhecidas como as “ilhas do Porto” e foram geradas pela industrialização da cidade durante a segunda metade do século XIX. Normalmente associados ao estigma de serem locais com problemas de higiene e segurança, estes bairros acabaram por serem estudados e pensados como projetos de habitação social logo a seguir à revolução do 25 de abril de 1974.

Alguns destes bairros foram desenhados para o programa SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) por conhecidos arquitetos, como é o caso de Álvaro Siza Vieira. Agora, 40 anos depois, este nome maior da arquitetura nacional, distinguindo com o prémio Pritzker, regressa ao coração do Porto como autor do projeto de reabilitação do Monte de Lapa.

Promovido pela Casa do Conto, este novo empreendimento pretende trazer uma nova vida a esta ilha com a reabilitação do seu núcleo habitacional, acrescentando-lhe uma vertente turística.  O objetivo passa por aproveitar o aumento de turistas na cidade, preservando a identidade e ADN daquele local, com a manutenção da sua população local.

Na nossa rubrica Portugal Genial tivemos oportunidade de entrevistar os promotores deste projeto, Alexandra Grande e Nuno Grande, que nos explicam como é possível hoje conceber um empreendimento com estas características, que consiga contrariar um pouco a oferta hoteleira padronizada e desenraizada do contexto urbano, mantendo a genuinidade e autenticidade da cidade.

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Jornalista: Francisco Branco; Imagem: Bruno Tibério: Edição: Maria Gonzalez

Comentários (1)

  1. Uma proposta para o mercado especulativo e gentrificado:
    Um programa de reabilitação que coloca muitas dúvidas na sua essência projectual. A primeira relaciona-se com o direito à cidade e a promoção das ilhas para os moradores do Porto; a segunda, com a duplicação das áreas de habitação e consequente aumento das suas rendas e expulsão dos mais pobres; terceiro, a ideia de promoção turística que lhe está subjacente e que obrigatóriamente vai contribuir para a expulsão dos poucos moradores que lá habitam pelo aumento das rendas. Uma proposta de projecto que vive de uma marca Siza Vieira que não sendo um projecto para o realojamento das classes mais desfavorecidas vai agravar e acentuar a gentrificação à imagem do que se passa no Bairro da Bouça. Um discurso pós-moderno que enrola a cidade, a habitação e a memória operária mas em função de um mercado fortemente especulativo. A utilização da imagem da Ilha da Bela Vista reabilitada a partir de um programa de Arquitectura Básica Participada nada tem haver com esta proposta de mercado que não defende o Direito à Habitação na Cidade.

    por: Fernando Matos Rodrigues,

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